quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Um paragrafo para a minha morte

Querido diário
Suplico-te apenas um parágrafo
Sem linha, amassado

Um ultimo parágrafo
Para uma cruel despedida
Deste frágil girassol
Neste vento de outono

Guarde este registro
Como um ultimo suspiro
Que cala no silêncio teu

Lennin Bastos

terça-feira, 28 de agosto de 2012

Assim excomungou Zaratustra

Em algum lugar estranho
Via-se o sol da manhã
Servindo com requinte
A quem carece de perfeição

Sonhos atômicos dispersos
Vagueando o mesmo chão
Pobres corações crucificados
“N’outro plano há de ter a salvação”

Eis aqui a lei dos homens
No seu gritante universo calado
Ansiando o paraíso
Sufocado no próprio pecado

Lennin Bastos

quinta-feira, 5 de julho de 2012

Meu eterno e transitório ser


O céu parece sombrio
Nesse mundo onde todo mundo é solitário
Ou tenta amar a solidão para disfarçar a sua tristeza

Não lembro quando me tornei um cara frio
Tento voltar a flamejar...
Mas não tenho forças, impulso

Há audiência para o meu drama
Penetra, suave, ao espolio de um sonho visceral
Brilha timidamente em um dia vil

Era o sol,
Flagelado pela minha melancolia
O meu eterno e transitório ser

Lennin Bastos

sábado, 16 de junho de 2012

Que tal um beijo, Saumensch?


No frescor da tua juventude
Doce, afável
Graciosa, menina

Nas calçadas gélidas, descalça
Distante, sem laços
Fraterno... Amor, materno

Cor, ahh... Cor
Descolorida, pálida
Tua pele...
Tudo ao seu redor

Livros, céu
Riso calculado
Leve mão, "leve
é seu"

Em belas paginas
Um sorriso, tímido
Casto, faminto
Expressão fugaz
Na menina, doce, que roubava livros

Lennin Bastos

terça-feira, 22 de maio de 2012

Rainha da noite


Quando a lua tocar meu mar
Fazer-te-ei meu farol
Vagando as ruas desertas
Reverberando no caos da solidão

Fazer-te-ei meu pão
Nas contramãos do destino
Destilando o bom do amor
Contemplando o brilho de um sorriso

Quando a rainha da noite
Invadir minha retina
Alcancei minha plenitude
De mãos dadas, caminhando quilometros
Então, hoje, Meu mundo sorri

Lennin Bastos

sábado, 28 de abril de 2012

Negro: Pós escravidão

Quando fecham-se os olhos
A escuridão me invade...
Ninguém pode me ouvir
Desatino a chorar

O som do açoite
É o som da tortura
Encalhado em minha memória
Mutilando minha alma

Tais lembranças
financiam um sentimento de impotência
Um desespero reprimido
Lagrimas que não foram derramadas

Encontro-me, agora, num deserto de dor
Algemado nos tentáculos das minhas emoções
Que fora dilacerado no palco da minha historia

Lennin Bastos

terça-feira, 20 de março de 2012

Estações do amor

Quando o sol recusa-se a sair
Encontrar-te é o meu refugo
Em tardes gélidas de inverno
Nas puras atrações que me impulsam até você

Nos dias de primavera
Que as flores não, mais, florescem
Embriago-me na tua companhia
Consumo exagerado de paixão

Há nuvens no horizonte
A observar os ares de verão
Amores libertinos...
Violentas paixões...

Quando as flores lançam-se ao chão
Tudo volta ao seu caminho
O doce gosto de um coração
Amor, afeto, carinho

Lennin Bastos

quinta-feira, 8 de março de 2012

Caminhos

Olhos fixados adiante
À estrada que se estende a frente
Às vezes tento a imaginar, mas deixo-a livre
Às vezes me pergunto qual será sua procedência:
Será, ela, reta ou curvada?

Com destino final: Felicidade
O caminho é estreito e difícil
Um pingo de duvida aloja-se na consciência durante todo o trajeto
Ao menos, até o momento...
Onde este caminho irá me levar?
Será pra sorrir ou será pra lamentar?

Os caminhos são confusos
A mente, então, mergulha em um mar de duvidas...
Mas arriscar em um caminho
É aprender a curtir as surpresas
É acreditar que depois de uma longa caminhada
Uma nova versão da sua historia irá iniciar-se

Então percebo: São apenas, miragens
Caminhos que ainda serão traçados
Paginas, ainda, em branco
De uma historia a ser escrita

Lennin Bastos

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Reflexo

Eu vi
Eu vejo
Em ti
Desejos

Conceitos
e medos
Descritos
no espelho

Razão e loucura
Sabes que vejo
Sou parte de ti
e tudo que vejo

Lennin Bastos